Aécio: Dilma se esconde atrás de plateia e cria fantasias

Em resposta a presidente Dilma Rousseff, que ao lado do ex-presidente Lula em discurso ontem em encontro da CUT, acusou a oposição de estar articulando um “golpismo escancarado”, o presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), disse que ela usa eventos patrocinados com dinheiro público para proferir mentiras e atacar os 70% da população que querem seu afastamento.

Aécio disse que Dilma cria fantasias e não teve coragem de olhar de frente os trabalhadores e reconhecer que é o seu governo que está tirando empregos de milhares de pais e mães de família em todo país. E que é governo dela o responsável pelo crescimento da inflação, que está tirando a comida das mesas dos trabalhadores.

— Em uma plateia controlada, onde o público foi escolhido a dedo entre militantes do PT e entidades que recebem milhões do poder público, a presidente se sentiu à vontade para, mais uma vez, manipular informações e criar fantasias — rebateu Aécio Neves
Ao GLOBO, Aécio disse que o discurso de Dilma, que questionou também a “moralidade” da oposição para atacar sua honra, é mais uma tentativa de manipular a realidade.

— Em claro desrespeito à plateia, a presidente chegou a apresentar mais uma vez o Pronatec como exemplo do seu compromisso com o país. Mas a presidente se esqueceu de dizer que a oferta de novas vagas no Pronatec nesse ano caiu 57% . A dotação para o Pronatec no OGU caiu 27% neste ano, depois de ter sido elevada em 41% no ano eleitoral de 2014. A presidente parece não ter entendido o sentimento da grande maioria dos brasileiros: Ninguém aguenta mais tantas mentiras — contra-atacou Aécio.

Líderes da oposição divulgaram nota nesta quarta-feira para também rechaçar as declarações de Dilma. Os líderes Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), Carlos Sampaio (PSDB-SP), Ronaldo Caiado (DEM-GO) e Mendonça Filho (DEM-PE) disseram, na nota, que não reconhecem autoridade moral na presidente da República que quebrou o país para vencer as eleições e retirou mais de um milhão de empregos das famílias brasileiras e que assistiu passivamente a nossa maior empresa pública ser assaltada em benefício do seu projeto de poder. Dizem também não reconhecer autoridade moral na presidente que” leiloou” a gestão da saúde dos brasileiros em troca de “um punhado de votos” em benefício próprio.

“Faria melhor a presidente se pelo menos uma vez demonstrasse sincera humildade para reconhecer que o desemprego e a carestia que castigam milhões de brasileiros é consequência dos equívocos e irresponsabilidades de seu governo. Não reconhecemos autoridade moral na presidente que mentiu para vencer as eleições e continua mentindo para se manter no poder”, diz a nota da oposição.

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“O PSDB conversa com a sociedade de cara limpa”, diz Aécio ao lançar campanha nacional de filiação do partido

Ao lado do ex-governador de Alagoas, Teotônio Vilela Filho, do prefeito de Maceió, Rui Palmeira, e de outras lideranças nacionais e regionais, o presidente do PSDB, senador Aécio Neves, deu a largada nesta sexta-feira (14/08) à nova campanha nacional de filiação do partido, em Maceió (AL).

No lançamento que teve a participação de militantes e filiados de 26 estados, Aécio disse que o PSDB é hoje um partido que dialoga com os brasileiros, sobretudo os mais jovens, porque representa a mudança necessária ao futuro do país.

“O PSDB é hoje o partido que conversa, que dialoga com a sociedade de cara limpa. Enquanto assistimos na cena política nacional alguns outros partidos, principalmente aquele que se julgava o principal interlocutor e representante dos brasileiros, hoje escondido, o PSDB se apresenta como o partido brasileiro de maior preferência popular, em especial entre os mais jovens”, afirmou Aécio Neves, em entrevista à imprensa na Associação Comercial de Maceió.

Aécio Neves destacou que o Brasil vive um momento sem precedentes em sua história recente, com a conjunção de crises política, econômica e ética, gerando graves consequências sociais. Ele lembrou que as crises, somadas, estão dizimando empregos, elevando a inflação e tirando dos cidadãos a capacidade de sonhar com dias melhores.

“O PSDB se apresenta à sociedade brasileira como o partido preparado para, no momento em que for necessário, permitir que este ciclo perverso de governo do PT seja substituído por um novo e virtuoso ciclo de desenvolvimento e de resgate das nossas conquistas sociais, de retomada dos empregos, de controle da inflação e da retomada do crescimento que todos nós, brasileiros, buscamos”, afirmou.

Na videoconferência que reuniu tucanos de todo país, entre eles os governadores do Pará, Simão Jatene, de Goiás, Marconi Perillo, e do Paraná, Beto Richa, e os senadores José Serra, Aloysio Nunes e Flexa Ribeiro, Aécio fez um chamamento aos brasileiros insatisfeitos com o governo do PT. Segundo as pesquisas de opinião, 71% da população no país desaprovam o governo Dilma Rousseff.

“O PSDB não é igual ao PT. E é para fazer uma nova política que eu convido os brasileiros para virem para o PSDB. Nunca, nesses 27 anos, foi tão necessária nossa mobilização. Numa eleição, se ganha e se perde, e quem perde tem o dever de fazer oposição, fiscalizar e propor. Estamos reunidos em um grande abraço a esse Brasil tão maltratado pelo PT”, afirmou Aécio Neves na videoconferência, transmitida pela internet.

Em Maceió, além do ex-governador de Alagoas e do prefeito de Maceió, participaram do evento o presidente do Instituto Teotônio Vilela (ITV), deputado José Aníbal; os deputados federais Pedro Vilela e Mariana Carvalho, e o deputado estadual Rodrigo Cunha.


PSDB partido com mais filiações, aponta TSE

Durante o evento, Aécio assinou as fichas de novos filiados ao partido. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o PSDB é o partido que mais registrou novas filiações em 2015.

“Esta campanha nacional de filiação marca um grande encontro e uma enorme convergência em favor de um novo país. Um país ético e eficiente, onde a palavra empenhada seja cumprida e onde a verdade substitua a mentira”, ressaltou Aécio.

Os movimentos do PSDB Mulher, Juventude Tucana, Diversidade Tucana, Tucanafro e PSDB Sindical serão as principais frentes de mobilização do partido nos estados e municípios.

Aécio diz que a Constituição é a arma que brasileiros têm para que a lei seja cumprida no país

O presidente do PSDB, senador Aécio Neves, criticou, nesta sexta-feira (14/08), em Maceió (AL), as declarações dadas ontem pelo presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), durante solenidade no Palácio do Planalto, em que convocou a militância do PT a sair às ruas com armas na mão.

Aécio disse que o Brasil assistiu com perplexidade à declaração feita na presença da presidente da República, sem que ela contestasse a grave incitação à violência feita na sede do governo. O senador disse que os brasileiros sairão às ruas no domingo (16), nas manifestações marcadas contra o governo, levando como arma a Constituição brasileira.

“O Brasil assistiu com perplexidade à declaração, na sede do governo nacional, no Palácio do Planalto, na presença da senhora presidente da República, e sem que ela fizesse qualquer contestação, a palavra de um dirigente sindical, conclamando seus companheiros a se entrincheirarem e pegarem em armas. Quero dizer ao presidente da CUT e, principalmente aos brasileiros, que nós não vamos nos entrincheirar, nós vamos de cabeça erguida para as ruas de todo o Brasil no próximo domingo, levando como nossa única arma a Constituição do Brasil. Essa é a arma de que dispomos para fazer com que a lei seja cumprida”, afirmou.

O presidente nacional do partido também ressaltou que a oposição não se intimidará com as ameaças do presidente da CUT e de setores do PT. Aécio disse que o PSDB seguirá agindo de forma pacífica e corajosa em defesa dos interesses do país e da democracia. A saída para a grave crise que o Brasil atravessa, ressaltou Aécio, passa pela Constituição.

“Para nós, qualquer que seja o desfecho dessa gravíssima crise, inclusive se a presidente readquirir as condições de governabilidade e continuar no cargo, tem que ser pela via constitucional. O que não aceitamos é que a defesa da Constituição que fazemos, e isso passa pela defesa das decisões dos tribunais, possa ser chamada, como têm chamado alguns que perderam o discurso, de tentativa golpista. Somos na verdade formuladores, junto com outras forças políticas, da atual Constituição. Diferente do PT, louvamos a Constituição, assinamos a Constituição e vamos fazê-la cumprir”, ressaltou Aécio Neves, lembrando que o PT se recusou, em 1988, a assinar o texto da atual Constituição.


A legitimidade dos votos da oposição

Aécio voltou a defender a importância das instituições responsáveis pelas investigações de corrupção no país e de fiscalização do governo. O senador ressaltou que a sociedade espera que a Polícia Federal, Ministério Público e os Tribunais de Contas da União (TCU) e Eleitoral (TSE) sigam agindo com independência e responsabilidade.

“Não abriremos mão da legitimidade do voto que recebemos para exercer a plenitude democrática a nossa função de contraponto a este governo que aí está, apontando os seus equívocos, garantindo o funcionamento pleno das nossas instituições, assim como vem ocorrendo com a Polícia Federal, com o Ministério Público. Temos de garantir que os tribunais, seja o Tribunal de Contas da União, seja o Tribunal Superior Eleitoral, funcionem sem qualquer tipo de constrangimento e que possam julgar as demandas que lá estão com a isenção que deles espera a sociedade brasileira. O PSDB não faz pré-julgamentos”, defendeu.


Responsabilidade pela crise é do PT

Durante a entrevista, em Maceió, Aécio Neves afirmou que a presidente Dilma Rousseff e o PT perderam a credibilidade com a sociedade por terem mergulhado o Brasil em uma gravíssima crise e, hoje, pagam o preço de terem mentido aos brasileiros na campanha eleitoral.

“Não há como terceirizar a responsabilidade pela crise que hoje assola o Brasil, tira os empregos dos trabalhadores, tira comida da mesa dos trabalhadores, com a inflação, com os juros na estratosfera, pune aqueles que se endividaram, estimulados por este governo. Tivemos, pela primeira vez em 20 anos, uma queda real da renda do trabalhador brasileiro. E a responsabilidade por tudo isso é da senhora presidente da República e do seu partido, que, no ano passado, e mesmo no ano anterior, não tomaram as medidas que poderiam ter tomado para minimizar o efeito dessa crise”, afirmou Aécio Neves.

Aécio Neves – Entrevista sobre a campanha de filiação do PSDB

O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves, concedeu entrevista coletiva, nesta sexta-feira (14/08), sobre a campanha de filiação do partido.

Leia a transcrição da entrevista do senador:

Sobre campanha de filiação.

Quero dizer que não foi por acaso que escolhemos exatamente Maceió e o estado de Alagoas para iniciar uma grande campanha nacional de filiação ao PSDB. O PSDB é hoje o partido que conversa, que dialoga com a sociedade de cara limpa. Enquanto assistimos a cena política nacional alguns outros partidos, principalmente aquele que se julgava o principal interlocutor, representante dos brasileiros que mais precisam, hoje escondido, um partido que não tem mais discurso, que não tem mais condições de se apresentar à sociedade brasileira sem ser questionado pelos inúmeros desvios e irresponsabilidades cometidos ao longo dos últimos anos, o PSDB se apresenta hoje, já segundo as pesquisas que dispomos, como o partido brasileiro de maior preferência popular, em especial entre os mais jovens. O PSDB é hoje dentre todos os partidos políticos em funcionamento no Brasil aquele tem, portanto, a maior preferência e as melhores condições de crescimento.

Esta campanha nacional de filiação, está conectando neste mesmo instante companheiros nos outros 26 estados da federação. Um grande abraço, um grande encontro e uma enorme convergência em favor de um novo país. Um país ético e eficiente, onde a palavra empenhada seja cumprida e onde a verdade substitua a mentira que hoje, dentre em todas, é a principal marca daqueles que nos governam.

Portanto, o PSDB se apresenta à sociedade brasileira como o partido preparado para no momento em que for necessário permitir que este ciclo perverso de governo do PT seja substituído por um novo e virtuoso ciclo de desenvolvimento e de resgate das nossas conquistas sociais, de retomada dos empregos, de controle da inflação e, enfim, da retomada do crescimento que todos nós brasileiros buscamos.

Da mesma forma, que é fundamental e importante em qualquer democracia o papel dos governantes, da mesma forma é relevante e importante o papel das oposições. Não abriremos mão da legitimidade do voto que recebemos para exercer a plenitude democrática a nossa função de contraponto a este governo que aí está, apontando os seus equívocos, garantindo o funcionamento pleno das nossas instituições, assim como vem ocorrendo com a Polícia Federal, com o Ministério Público, temos de garantir que os tribunais, seja o Tribunal de Contas da União, seja o Tribunal Superior Eleitoral, funcionem sem qualquer tipo de constrangimento e que possam julgar as demandas que lá estão com a isenção e o profissionalismo que deles espera a sociedade brasileira. O PSDB não faz pré-julgamentos.

O PSDB não escolhe desfechos para a enorme crise que na qual estamos mergulhados, mas o PSDB é garantidor dessas instituições. Que elas julguem, condenem ou absolvam, mas que julguem sem quaisquer interferências que possam surgir. Falo isso porque há um sentimento de que hoje a perplexidade do governo faz com que avance, inclusive, junto a essas cortes de contas.

O PSDB reitera aqui de público a sua absoluta confiança em que os juízes dessas Cortes irão cumprir, como sempre cumpriram, seu papel. Repito, condenando ou absolvendo – e essa decisão não é do PSDB e nem é das oposições –, mas se alguém cometer um delito, se alguém cometer determinada ilegalidade, felizmente o Brasil tem leis hoje e essas leis devem ser cumpridas.

Sobre declaração presidente da CUT.

O Brasil assistiu ontem, com perplexidade, à declaração na sede do governo nacional, no Palácio do Planalto, na presença da senhora presidente da República e sem que ela fizesse qualquer contestação, a palavra de um importante dirigente sindical conclamando seus companheiros a se entrincheirarem e pegarem em armas. Quero dizer ao presidente da CUT, mas principalmente aos brasileiros, que não vamos nos entrincheirar, vamos de cabeça erguida para as ruas, para as ruas de todo Brasil no próximo domingo e levando como nossa única arma a Constituição do Brasil. Essa é a arma de que dispomos para fazer com que a lei seja cumprida. E foi por isso que tantos brasileiros lutaram tanto durante tantos anos.

Portanto, vamos responder a essas tentativas de intimidação com a nossa manifestação clara, pacífica e corajosa em defesa do Brasil e sempre em defesa da democracia. Porque para nós esse é o limite da nossa ação, a Constituição.

Sobre distribuição de cargos públicos.

O que vemos no Brasil hoje é que não temos mais um governo, não temos mais um projeto de país. O único projeto do governo da presidente Dilma é chegar até ao final. E aí assistimos esse vale tudo da distribuição sem qualquer constrangimento, sem qualquer limite de cargos públicos para aqueles que se disponham a apoiar o governo. O que vemos hoje é uma tentativa permanente de vencer a semana. Isso é muito pouco para um país com as dimensões do Brasil e com a complexidade das dificuldades que temos hoje.

Lamentavelmente a presidente da República, pelo fato de ter lesado, de ter mentido, de ter faltado com a verdade com os brasileiros durante a campanha eleitoral é hoje uma presidente sitiada, uma presidente que só pode participar de eventos que são muito bem preparados para que não haja ali a presença de cidadãos comuns, apenas da claque, muitas vezes paga com recursos públicos que estão ali para aplaudi-la.

Assistimos também estarrecidos, o Palácio do Planalto se transformar em um comitê de apoio à presidente da República. Isso, por si só, é uma demonstração da fragilidade absoluta desse governo. Portanto a decisão do Supremo Tribunal Federal, não sei se a Câmara irá recorrer em relação a ela, é decisão da Justiça. Digo sempre que decisão da Justiça, é uma decisão para se cumprir até que haja uma manifestação do Pleno.

Apenas faço um registro de que é algo inusitado, algo novo, porque o procedimento desde que eu era presidente da Câmara, e nos tempos que fui parlamentar sempre foi uma decisão das duas casas, mas como temos no Brasil um sistema bicameral, vota-se em uma Casa e depois na outra. Portanto, essa é uma decisão de ontem, temos que avaliar seus desdobramentos, mas repito sempre, ao PSDB não cabe escolher desfechos. Há uma avaliação equivocada a essa saída. É boa para A, é boa para B, é boa para C. Para nós, qualquer que seja o desfecho dessa gravíssima crise, inclusive se ela readquirir as condições de governabilidade e continuar no cargo, tem que ser pela via constitucional.

O que não aceitamos é que a defesa da constituição que fazemos – isso passa pela defesa das decisões dos tribunais – possa ser chamado, como querem chamar alguns que perderam o discurso, de tentativa golpista. Somos, na verdade, formuladores junto com outras forças políticas da atual Constituição. Diferente do PT, louvamos a Constituição, assinamos a Constituição e vamos fazê-la cumprir. Não vamos aceitar, repito, qualquer tipo de constrangimento às cortes brasileiras, porque isso seria um enorme e inaceitável retrocesso à nossa democracia.

Sobre Agenda Brasil em debate no Senado.

Acho que todas as lideranças políticas do país, incluo aí o presidente do Senado, têm o direito e até o dever de apresentar propostas para o país. É da essência da ação parlamentar. O que me preocupa, na forma como essas propostas são apresentadas, é que não houve uma prévia discussão, sequer com a base do governo. Muitas dessas propostas que estão colocadas sequer têm consenso no partido que hoje governa o Brasil e naqueles que o apoiam, e muito menos da oposição, que não foi chamada para dar a sua contribuição.

Eu temo muito essas ações midiáticas que geram uma determinada expectativa, que depois têm como consequência uma enorme frustração. Seria muito mais adequado, e seria uma contribuição muita mais efetiva ao país, que, antes de entregar ao país o conjunto de propostas sem qualquer discussão prévia, o presidente do Senado estivesse disposto a discutir essa pauta, por exemplo, com o seu companheiro de partido e presidente da Câmara dos Deputados.

Repito que vivemos um sistema bicameral. Essas propostas precisarão, para ter efeito, ser aprovada nas duas Casas, senão elas se transformam apenas em um documento panfletário. Seria muito mais adequado se o presidente do Senado, em entendimento com o presidente da Câmara, com as oposições e com a sua base, apresentasse ao país um conjunto, até que mesmo mais modesto, de medidas, mas que efetivamente tivessem condições de aprovação.

O PSDB está rediscutindo cada uma dessas propostas, avaliando cada uma dessas propostas. Existe um conjunto enorme de outras que estão tramitando no Congresso Nacional, sem que a elas tenha sido dada qualquer preferência até aqui, e que estaremos também trabalhando para que seja incluída na pauta. Mas temos que tomar muito cuidado para não gerarmos uma expectativa, talvez com objetivos que não sejam exatamente a aprovação dessas medidas e depois gerarmos uma enorme frustração.

O que nos surpreendeu, no anúncio dessas propostas, – e não faço aqui questionamento ao mérito de algumas delas -, é que elas não passaram por aquilo que é essencial e natural da atividade parlamentar: uma negociação, uma discussão. Eu próprio estive, poucos dias antes, com outros líderes do PSDB, reunido com o presidente do Senado, uma semana, menos de uma semana antes do anúncio dessas propostas, e não tivemos dele qualquer sinal de que estaria apresentando ao país um conjunto de ideias, para que pudéssemos apresentar as nossas contribuições. Por isso, por não ter sido algo discutido previamente, vejo com enormes reservas, até porque o presidente da Câmara já disse algo nesta direção, isto não passou por uma discussão com a outra Casa. Portanto, temos que ter os pés no chão.

Tivemos, pela primeira vez em 20 anos, uma queda real da renda do trabalhador brasileiro. E a responsabilidade por tudo isso é da senhora presidente da República e do seu partido, que, no ano passado e mesmo no ano anterior, não tomou as medidas que poderia ter tomado para minimizar o efeito dessa crise para aqueles que menos têm. O nosso papel, o papel do PSDB é exatamente de combater o governo, defender o trabalhador, defender os empregos, como estamos fazendo, nos opondo a essas desonerações, a essas reonerações, o fim das desonerações que foi aprovada na Câmara. O nosso papel hoje – do PSDB e de outras forças de oposição – é de sermos guardiões, os protetores da sociedade brasileira atacada de forma vil por este governo, com o descumprimento das suas promessas.

Sobre impeachment da Presidente Dilma.

Vou dizer mais uma vez. Não cabe ao PSDB dizer que vai ocorrer o impeachment, vai ocorrer a condenação da presidente no TSE por conta das denúncias que lá chegam, ou a presidente deixará o mandato. Esta não é uma questão que o PSDB decidirá. Nosso papel é garantir que a lei e a Constituição do Brasil sejam cumpridas. Existem, hoje, no Tribunal de Contas, pareceres muito sólidos mostrando que a presidente da República, durante a campanha eleitoral, descumpriu a Lei de Responsabilidade Fiscal. Foi dado a ela inclusive um prazo maior. Surpreendentemente, porque o prazo que ela já havia tido era um prazo absolutamente suficiente para as explicações. Mas foi dado a ela um novo prazo. Vamos acreditar e confiar na boa fé – e eu pessoalmente confio – do Tribunal de Contas.

Sobre ação no TSE.

No TSE, existe um outro processo que fala da utilização do dinheiro de propina na campanha eleitoral. Que o Tribunal investigue. O que estamos pedindo hoje – nossa ação no Tribunal – é que permita a investigação, porque impedir que ela ocorra é um ato excessivamente defensivo, que passa a impressão de culpa, de que houve realmente ilicitude na campanha. E ninguém, absolutamente ninguém no Brasil – em especial a presidente da República – pode estar acima da lei. Não decidimos o desfecho. O desfecho vai ser decidido pelos tribunais, e o PSDB não vai permitir que haja qualquer tipo de pressão indevida em relação às nossas Cortes. Portanto, hoje mais do que nunca, o nosso papel na oposição é essencial ao país, em especial à democracia brasileira.

Sobre as manifestações de domingo.

Pessoalmente, tenho muita vontade de participar. Não decidi ainda aonde vou, nem se vou, mas a minha vontade pessoal é essa. Estou conversando com os dirigentes do partido. Eu carrego comigo a institucionalidade de ser o presidente nacional do PSDB, mas pretendo sim, não decidi ainda em que lugar. Existem muitas demandas para que eu esteja em Brasília, no Rio, ou em São Paulo, em especial também, é claro, em Belo Horizonte. Fui convidado inclusive para estar aqui em alguns lugares do Nordeste. Vou avaliar até amanhã aonde vou e anunciarei a vocês. Se for, irei como cidadão. Como mais um, entre milhões de brasileiros indignados.

Aécio Neves anuncia apoio do PSDB às manifestações do dia 15

O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves, afirmou, nesta quarta-feira (11/03), que o partido apoia as manifestações marcadas para o próximo dia 15 contra o governo Dilma Rousseff, mas não terá uma atuação institucional nos protestos. A Executiva do partido decidiu em reunião, nesta manhã, prestar apoio informal aos movimentos organizados em todo país por entender que as manifestações são uma iniciativa espontânea da população e não devem ter natureza partidária.

“Divulgamos o irrestrito apoio às manifestações pacíficas e democráticas que estão sendo organizadas de forma apartidária por vários setores da sociedade brasileira. O PSDB estará ao lado de milhares de brasileiros, em todas as regiões do país, com seus militantes, simpatizantes e várias de suas lideranças nessas manifestações, que expressam um grande sentimento de indignação da sociedade brasileira em relação à degradação moral e os gravíssimos problemas econômicos e sociais criados pelo governo da presidente Dilma”, destacou em entrevista.

O PSDB publicou uma nota sobre o tema, assinada, pelo presidente nacional, pelo líder do partido na Câmara dos Deputados, Carlos Sampaio (SP), e no Senado, Cássio Cunha Lima (PB).

 

3º. Turno das eleições

Aécio Neves contestou as declarações dadas pela presidente Dilma e por ministros do governo que classificaram os protestos populares como um 3º. Turno das eleições presidenciais.

“Não podemos aceitar que queiram dizer ao país o que se pode ou não protestar. O Brasil vive no pleno estado de direito. O que combatemos é o estelionato eleitoral. É o governo que agora toma medidas no campo oposto àquelas que defendia durante a época da campanha eleitoral. Um governo que não tem sequer respeito à população brasileira para dizer que errou e errou muito ao longo dos últimos anos”, disse.

O presidente do partido voltou a esclarecer que a agenda atual do PSDB não inclui a discussão sobre pedido de impeachment da presidente da República por crime de responsabilidade.

“Não proibimos e nem estamos proibidos de dizer a palavra impeachment. Ela apenas não está na agenda do PSDB. Desconhecer setores da sociedade que defendem essa tese é desconhecer a realidade. Mas essa não é a agenda neste momento do PSDB”, afirmou.

 

Panelaços

Aécio Neves também ironizou as declarações de petistas que responsabilizaram o PSDB pelos panelaços ocorridos no domingo passado em pelo menos 12 cidades brasileiras, durante o pronunciamento da presidente em cadeia nacional de rádio e TV.

“É o cúmulo do ridículo dizer que o panelaço foi patrocinado pelas oposições. Nem que nós tivéssemos um crédito ilimitado nas Casas Bahia ou no Ricardo Eletro nós conseguiríamos comprar tanta panela para os brasileiros”, ironizou.

 Sobre o pronunciamento de Dilma Rousseff, Aécio afirmou que ela deveria ter usado a cadeia de rádio e TV para pedir desculpas aos brasileiros pelo aumento da inflação, pela corrupção na Petrobras e pelos erros cometidos na condução da economia do país.

“Enquanto a presidente da República não vier a público pedir desculpas à população brasileira pelo descalabro moral do seu governo, pelos gravíssimos equívocos na condução das políticas na área de energia e no conjunto da economia, certamente, ela estará se distanciando cada vez mais do sentimento da população brasileira”, concluiu Aécio.

Aécio Neves – Entrevista sobre as manifestações do dia 15

O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves, concedeu entrevista coletiva, nesta quarta-feira (11/03), em Brasília. Aécio falou sobre o apoio do partido às manifestações do dia 15, impeachment, panelaços e campanha de filiação do PSDB.

 

Leia a transcrição da entrevista do senador:

Sobre o apoio às manifestações.

O PSDB está divulgando hoje uma nota da direção nacional do partido de irrestrito apoio às manifestações pacíficas e democráticas que estão sendo organizadas de forma apartidária, mais até que de forma suprapartidária, por vários setores da sociedade brasileira.

Não podemos aceitar que alguns setores da vida nacional apenas por interesses partidários queiram dizer sobre o que se pode ou não protestar. O Brasil vive no pleno estado de direito e o PSDB estará ao lado de milhares de brasileiros em todas as regiões do país, com seus militantes, simpatizantes e várias das suas lideranças participando dessa manifestação que, na verdade, expressa um grande sentimento de indignação da sociedade brasileira em relação à degradação moral e os gravíssimos problemas econômicos e sociais criados pelo governo da presidente Dilma Rousseff.

Portanto, é a posição clara do PSDB de apoio a essas manifestações, das quais ele não participa na sua organização, mas com a representatividade que têm os nossos militantes, os nossos companheiros estarão nas ruas do Brasil inteiro mostrando esse sentimento amplo e crescente de indignação.

 

O sr vai à passeata?

É uma avaliação que nós fizemos, e eu já tinha essa avaliação pessoal, eu optei por não ir. Exatamente para não dar força a esse discurso de que nós estamos vivendo o terceiro turno no Brasil.

O fato de eu ter disputado as eleições com a presidente Dilma Rousseff pode fortalecer esse discurso, que não é verdadeiro. Estamos estimulando que nossos companheiros estejam participando da forma que acharem mais adequada. Tenho certeza que vai ser um movimento extremamente expressivo, mas para não caracterizarmos esse movimento como algo partidário, até porque quanto menos partidário ele for mais expressivo e mais consistente ele será, o PSDB estará nas ruas através dos seus militantes, mas sem o apoio institucional do seu presidente.

 

Pode ser entendido como um apoio ao impeachment da presidente?

Não. Na verdade não proibimos e nem estamos proibidos de dizer a palavra impeachment. Ela apenas não está na agenda do PSDB. Agora, desconhecer setores da sociedade que defendem essa tese é desconhecer a realidade, mas essa não é a agenda neste momento do PSDB.

O que combatemos é o estelionato eleitoral, é o governo que agora toma medidas no campo oposto àquelas que defendia durante a época da campanha eleitoral. Um governo que não tem sequer respeito à população brasileira para fazer a mea culpa e dizer que errou e errou muito ao longo dos últimos anos.

A presidente da República vir à televisão depois dessa eleição e dizer que a gravidade da crise econômica porque passa o país é fruto do agravamento da crise internacional que, ao contrário, se dissipa, e da grave seca que tomou conta de regiões do país, é na verdade desprezar a inteligência dos brasileiros.

Enquanto a presidente da República não vier a público fazer a sua mea culpa, pedir desculpas à população brasileira pelo descalabro moral do seu governo, pelos gravíssimos equívocos na condução das políticas na área de energia e no conjunto da economia, certamente, ela estará se distanciando cada vez mais do sentimento da população brasileira.

 

A manifestação prevista para sexta-feira, em tese é crítica à presidente, mas será promovida pela CUT, MST e Une. O sr acredita realmente que a manifestação vai ser crítica ou será chapa branca?

Estamos vendo algo inédito no Brasil contemporâneo. Porque manifestações geralmente são organizadas e estimuladas pelas oposições. Estamos vendo um governo tão perdido que setores dele próprio articulam manifestações que, ao final, serão todas contra o governo. Não há como centrais sindicais, por mais aparelhadas que algumas delas sejam, por mais dóceis ao PT que muitas delas tenham demonstrado ser ao longo da história, não podem estar defendendo algo hoje que venha na oposição, que venha de encontro no viés contrário aos interesses dos trabalhadores.

A presidente da República disse na campanha eleitoral que não mexeria no direito dos trabalhadores, está mexendo. Disse na campanha eleitoral que o Brasil não tinha problema com inflação. Estamos tendo a maior inflação da última década. A presidente disse que não haveria aumento na conta de energia, ao contrário, ela seria reduzida. Apenas este ano de 2015, isso é algo extremamente grave, teremos no segmento da economia brasileira, o segmento da energia, um aumento de cerca acima de 50%. Isso não existia desde o Plano Real.

Portanto, este descontrole, este descalabro, e a incapacidade do governo de fazer a mea culpa, acho que agravam os problemas que, na verdade, já se agravaram porque o governo não tomou as medidas que deveria ter tomado por conta da campanha eleitoral. Porque este diagnóstico eles já tinham e cada dia fica mais claro que várias dessas medidas já estavam sendo discutidas em setores do governo. Mas o governo optou por dar prioridade ao processo eleitoral mesmo sabendo que isso prejudicaria a vida dos mais pobres. O governo da presidente Dilma Rousseff se distancia da vida dos trabalhadores, daqueles que precisam da estabilidade da moeda, daqueles que precisam de empregos, de segurança e de esperança. Infelizmente, é um governo que terminou antes de começar.

 

A ideia de fazer o blinda Dilma na sexta-feira vira mais um tiro no pé. A tendência é esta do próprio governo?

É algo no mínimo extremamente arriscado. Não conheço na história da democracia brasileira momentos em que o governo convoca a população para ir às ruas. Com uma exceção apenas, vocês se lembraram, quando o ex-presidente Collor fez isso e nós assistimos ao resultado.

 

A campanha de filiação do PSDB vai aproveitar este momento de mobilização nacional para crescer.

O que está havendo é uma demanda enorme, acho que inédita na história do PSDB, por setores organizados da sociedade, jovens, principalmente universitários, que estão disputando espaços nos diretórios acadêmicos, grêmios estudantis, buscando, a partir do PSDB, ter um espaço institucionalizado para expressar as suas posições.

O PSDB tem uma nova reunião da executiva marcada para o dia oito, onde estaremos lançando uma ampla campanha de filiação, com um redesenho do programa partidário, com a sua atualização, usando a Web como um instrumento importante para facilitar essas filiações, mantendo uma conexão maior entre as posições do partido e das suas lideranças e os filiados. Não tenho dúvidas que o PSDB se apresentará rapidamente, já vem acontecendo, mas mais claramente ainda, como o mais moderno dos partidos brasileiros. Vamos fazer uma ampla campanha a partir do dia 08 de abril, em todo o país, que culminará com a convenção nacional do partido, que ocorrerá no dia 5 de julho para a renovação da sua direção nacional.

 

Sangrar ou afastar? O que é mais conveniente?

Acho que é mostrar a nossa indignação. Não há palavra proibida em uma sociedade democrática como a nossa. Rejeitamos vigorosamente essa patrulha de setores do PT que chegam ao cúmulo do ridículo de dizer que o panelaço havido no último domingo foi patrocinado pelas oposições. Nem que tivéssemos um crédito ilimitado nas casas Bahia ou no Ricardo Eletro não conseguiríamos comprar tantas panelas para atender a tantos brasileiros.